segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Japamala: conheça-o em todos os detalhes!

 

Japamala: conheça-o em todos os detalhes!


Japamala em madeira e pedras naturais

Fonte da Imagem 

A palavra japamala deriva do sânscrito, onde “japa” significa ‘murmurar mantras repetidamente’ e “mala” significa ‘cordão, guirlanda’. Assim, o japamala é um cordão para repetição e prática de mantras, que são sons sagrados com vibrações específicas que auxiliam no alcance de um determinado estado de consciência. Porém, o japamala é mais que apenas um cordão ou colar de repetição, sendo rico em simbolismos, conforme veremos mais adiante.

O japamala (atenção ao pronome correto, que é masculino: “o meu japamala” e não “a minha japamala”) é uma ferramenta muito útil na prática de meditação hinduísta e budista, pois ajuda a mente a manter-se focada enquanto serve de guia para a repetição do número correto de mantras sem que a pessoa que medita precise ficar contando quantas repetições já foram feitas, bastando apenas que vá seguindo cada bolinha do colar com os dedos até completar a volta toda.

O uso de cordões com finalidade de práticas espirituais surgiu por volta do século VIII a.C. na Índia, e por muito tempo não foram usados apenas para recitação de rezas ou mantras, mas também como amuleto de proteção ou item de sinalização de pertencimento a grupos culturais, mágicos ou religiosos. Embora seu uso seja predominante nas religiões indianas, variações foram adotadas por outras religiões, como é o caso do terço no catolicismo.

O espiritualismo explica que o japamala seria composto de 2 cordões: um físico e um espiritual, energético. À medida em que praticamos o “japa”, que são as repetições dos mantras, imbuímos o “mala” (cordão) com energia, magnetizando-o.

 


Composição do japamala




Para que seja considerado um japamala, o colar deve ter 108 contas*, uma conta maior que as demais, chamada de meru, e um tassel, que é uma espécie de pingente de franja (embora este possa ter outras representações, conforme explicação no último parágrafo dessa seção).

Embora a versão tradicional seja o colar de 108 contas, que representa o circuito completo de repetições, *existe a possibilidade de que seja feito com 54, 27 ou 9 contas, sempre múltiplos de 9. Se, por exemplo, a pessoa utiliza um japamala de 54 contas, fará a volta duas vezes para completar o circuito de 108 repetições; se o japamala tiver 27 contas, serão 4 voltas, e se forem apenas 9 contas, serão necessárias 12 voltas até que as 108 repetições sejam realizadas.

Alguns japamalas são feitos com nozinhos entre cada conta e algumas versões também podem ter marcadores, geralmente posicionados a cada 9, 27 ou 54 contas, embora os mais tradicionais sejam com contas corridas e sem marcadores.

No ocidente, vemos, às vezes, japamalas que não possuem o tassel (franja) e sim algum outro item, como um cristal, por exemplo. Isso não impede seu uso como japamala e nem interfere no propósito energético do colar, afinal, o mais importante é sempre a intenção que depositamos sobre um objeto, e não o objeto em si. É apenas mais tradicional o uso do tassel, pois é um representante mais “fiel” das Mil Pétalas que se associam ao conceito de iluminação (mais detalhes a esse respeito podem ser encontrados abaixo, no subtítulo “O tassel”).

 


Simbologias do japamala

 

O incrível número 108:

O número 108 não é aleatório. O japamala tem essa quantidade específica de contas porque 108 é considerado um número sagrado e auspicioso (“auspicioso” significa “de boa sorte e vibração”). Se somados todos os algarismos e reduzidos a um único dígito, o resultado será 9 (1 + 0 + 8 = 9), e o mesmo acontece com os demais agrupamentos/divisões possíveis do japamala, que são sempre múltiplos de 9. Veja:

Japamala de 54 contas à  5 + 4 = 9

Japamala de 27 contas à  2 + 7 = 9

Japamala de 9 contas à já é o próprio 9

 

Outros fatores muito interessantes envolvendo o número 108 ou 9, que é a sua vibração e do qual é múltiplo:

·        A frequência de 432 Hz é encontrada nos batimentos cardíacos: 432 à 4 + 3 + 2 = 9

·        432 Hz é também conhecido como a frequência do universo que, se dividida por 4 (os 4 elementos, as 4 direções cardeais, os 4 pontos do quadrado, que é o símbolo da terra) dá como resultado o número 108.

·        A frequência de ressonância de Schumann¹ é 7,83 Hz: 7,83 à 7 + 8 + 3 = 9

·        O formato-padrão da colmeia de abelhas é o hexágono, cujo total dos ângulos internos é 720 °:             720 à 7 + 2 + 0 = 9

·        As 108 contas representam a roda de Samsara², que é a roda das encarnações humanas.

·        A distância aproximada entre o sol e a terra é de 108 vezes o diâmetro do sol. Por isso, ao se fazer uma volta completa no japamala de 108 contas, é como ir até o sol, que é a fonte da vida.

·        A distância entre a lua e a terra é aproximadamente 108 vezes o diâmetro lunar.

·        A Árvore da Vida, estudada na Cabala, descreve os Sephirot de 1 a 9 como emanações sucessivas de Deus.

·        O número nove é particularmente gerador e místico: o que for multiplicado por 9 (inclusive multiplicando-o por si mesmo) dará como resultado sempre o próprio número 9, quando reduzido a um único dígito final. Veja alguns exemplos:

o   9 x 8 = 72                          à 7 + 2 = 9

o   9 x 25 = 225                      à 2 + 2 + 5 = 9

o   9 x 497 = 4.473                à 4 + 4 + 7 + 3 = 18    à 1 + 8 = 9

o   9 x 9 = 81                          à 8 + 1 = 9

o   99 x 9 = 891                      à 8 + 9 + 1 = 18    à 1 + 8 = 9

o   99 x 99 = 9.801                à 9 + 8 + 0 + 1 = 18    à 1 + 8 = 9

o   999 x 999 = 998.001      à 9 + 9 + 8 + 0 + 0 + 1 = 27    à 2 + 7 = 9

 

¹ Schumann foi um físico que demonstrou que a Terra é cercada por um imenso campo eletromagnético, que vai do solo até cerca de 100km sobre nós. Esse campo pulsa, como se fosse o coração do planeta, e possui a frequência de ressonância de 7,83 Hz.  Sessenta anos antes, o físico Nikola Tesla também já havia detectado essa ressonância com sucesso enquanto estudava uma gigantesca tempestade de raios e trovões.

² “Samsara” é uma palavra do sânscrito que significa “perambulação”; assim, a Roda de Samsara é o termo usado para descrever o processo de reencarnação contínua e sucessiva, em que seguimos “perambulando” entre os sofrimentos do mundo enquanto não alcançamos o estado de iluminação.

 

Cada algarismo do número 108 também tem seu simbolismo particular:

1 – Representa a unidade, o todo

0 – Representa a “naõ-existência”, a ilusão da realidade

8 – É o símbolo do infinito (imagine o número 8 deitado)

 

 

O meru:

É chamada de “meru” a conta ou peça maior que as outras, que fica na finalização do japamala que antecede o tassel. Esta conta representa a fonte, a divindade, a criação, a inteligência suprema, o que equivaleria ao conceito de Deus.

O meru pode ser representado por uma conta, um cristal, uma imagem, uma semente, havendo ampla margem para variações.

 

O fio que prende as contas do japamala:

O fio simboliza o universo, onde tudo está interligado.

 

O tassel:

O tassel é o pingente de franja que fica no final do japamala.

Ele simboliza a iluminação, ou seja, o atingimento da pura consciência, em alusão ao 7º chakra, chamado de Chakra da Coroa ou Sahasrara, também conhecido como o Lótus das Mil Pétalas (mil pétalas inspiram a ideia dos muitos fios no tassel), que é o chakra da consciência plena. Este chakra fica localizado no topo da cabeça.



Materiais usados num japamala

A princípio, quaisquer materiais podem ser usados na confecção de um japamala, mas há aqueles cujas energias ampliam e aqueles cujas energias antagonizam o propósito de iluminação e prática espiritual do japamala.

O uso de elementos derivados de sofrimento animal, como o couro, as pérolas verdadeiras (que são extraídas com a morte do molusco) ou as penas, por exemplo, são antagonistas, ou seja, contrários à proposta energética e conceitual do japamala, sendo uma contradição que o praticante da meditação esteja em busca da elevação de consciência ao mesmo tempo em que não se importa com a sua própria responsabilidade no consumo.

Já materiais naturais não provenientes de sofrimento animal, tais como madeira (colhida com consciência), pedras naturais ou sementes, por exemplo, estão em sintonia com a intenção energética do japamala, que preza pelo respeito e harmonia com a natureza. Estes elementos, são, ainda, doadores de energias da natureza e contêm informação em seu DNA que se alinha com tais propósitos. A pedra natural traz consigo toda a memória e energia de sua formação, sua geologia, assim como as sementes e madeira trazem consigo as características que a natureza lhes designou.

Por isso, o material ideal para a confecção de um japamala é aquele proveniente da natureza, e sem sofrimento animal.

 


A semente de Rudraksha

Uma semente muito comum na confecção de japamalas é a rudraksha. Esta semente cresce nas árvores Elaeocarpus Ganitrus, encontradas do Himalaia ao Nepal, no sul asiático, assim como na Austrália e no Havaí.

Do sânscrito, “rudra” é um dos nomes védicos de Shiva e “aksa” significa “lágrimas”. Assim, “rudraksha” poderia ser traduzido como “lágrimas de Shiva”. Alguns dicionários de sânscrito traduzem “aksa” como “olho”, podendo o significado ser também “olho de Shiva”.

A lenda conta que Shiva meditou por mil anos e, quando abriu os olhos, chorou. Suas lágrimas caíram no chão e se transformaram em sementes, e delas nasceram árvores de rudraksha.

A semente de rudraksha tem entre 1 e 21 linhas (essas linhas são chamadas de “mukhis”). Antigamente, até 108 mukhis eram possíveis de serem encontrados numa semente, mas atualmente quase todas as sementes de rudraksha têm entre 4,5 e 6 linhas (80% delas). A semente com uma única linha é a mais rara.

As sementes do Nepal têm entre 2 e 3,5 cm de tamanho. As da Indonésia têm entre 2,5 e 5 cm.

A coloração natural da semente varia do avermelhado ao marrom amarelado.

Acredita-se que a semente de rudraksha tenha propriedades eletromagnéticas benéficas para o cérebro e o sistema nervoso humano, auxiliando em casos de stress, fadiga, depressão, ansiedade, questões psicológicas e transtornos mentais.

Existem falsificações dessa semente no mercado, que são réplicas de plástico perfeitas. Uma dica para testar se a semente é verdadeira é colocá-la num copo com água. A semente verdadeira afunda, e as de plástico boiam.


 

Fonte da imagem: arquivo pessoal da loja Estrela da Terra


Como utilizar o japamala

Primeiramente, devemos aquietar a mente por alguns minutos, procurando uma posição confortável para ficar. Pode-se estar sentado numa cadeira, ou no chão, de pernas esticadas ou cruzadas, ou mesmo repousando sobre uma poltrona ou outro lugar macio, que não interfira no conforto necessário para que se possa concentrar-se na meditação.

Então, iniciamos a repetição dos mantras a partir da primeira conta ao lado do meru, não importando o lado, dizendo o mantra uma vez por conta/bolinha, até que se complete toda a volta das 108 contas.

Um mantra é um som que possui uma determinada frequência vibracional. Um dos mais conhecidos é o som do “Om” (som do universo), mas há muitos outros. Ao completar o circuito de 108 repetições, a intenção é que a mente adentre um estado transcendido de consciência, ultrapassando as fixações cotidianas do pensamento, permitindo que a consciência se concentre em si mesma.

Um cuidado que costuma ser observado no manuseio do japamala é utilizar os dedos polegar e médio para ir passando as contas, sem encostar o dedo indicador. O motivo é que o dedo indicador representa o ego e o treino rumo à iluminação consiste justamente em eliminar o ego e praticar o respeito e a humildade.




Caso se deseje repetir o processo, não há problema, mas a orientação é voltar pelo mesmo caminho, sem “pular” o meru. Isso porque, sendo o meru a representação da máxima divindade ou inteligência no universo, ele seria como um mestre, e ao pulá-lo estaríamos desrespeitando seus ensinamentos.

Não pular o meru e não encostar o dedo indicador no japamala são, assim, uma lição de concentração, humildade e respeito.

Recomenda-se guardar o japamala em lugar adequado, ou seja, sempre no alto e nunca próximo do chão ou em banheiros, por exemplo, que são locais com energia densa, e preferencialmente numa gaveta, caixinha ou saquinho, para não ficar exposto o tempo todo, absorvendo as energias do entorno. Alguns praticantes orientam que o japamala deve ser um objeto de uso privado, não devendo ficar às vistas das pessoas que não conhecemos ou em quem não confiamos, e não deve ser manuseado por outras pessoas além do dono do objeto, pois o cordão está imantado com a energia exclusiva dessa pessoa. Se o intuito do uso do japamala for o de proteção em locais públicos, por exemplo, o ideal é que ele esteja reservado unicamente para esta função, e outro japamala deve ser utilizado para a prática meditativa.

 

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