É difícil
meditar?
A meditação é
uma prática muito antiga, e seus registros mais antigos vêm da região da China
e Índia e datam de aproximadamente 1.500 a.C.
A origem mais conhecida
da palavra provém da raiz latina “meditatum”, que quer dizer “ponderar”, mas o
significado mais comum que vemos é o que vem também do latim “meditare” e
significa “estar em seu centro”, “voltar-se para o centro”.
Seus principais
objetivos incluem o treino da concentração, autodisciplina, atingimento de estabilidade
psicológica e emocional (o que pode ser uma ferramenta de auxílio significativo
no combater ao caos mental, stress, ansiedade e depressão) ou, num sentido mais
amplo, expansão do estado de consciência e transcendência espiritual.
Não há um
único tipo de meditação ou uma única forma de meditar. Seja pela influência das
diversas culturas em que surgiu, seja pela passagem do tempo, a meditação
desenvolveu-se com muitas técnicas e objetivos diferentes. Por isso, não se
pode dizer esta meditação é errada e aquela é certa.
Ainda que haja
diversos objetivos envolvidos nas práticas da meditação, meditar ainda é, sobretudo,
a busca por elevar a consciência para um estado diferenciado que nos permita trilhar
os passos rumo à evolução espiritual.
Existem técnicas
e ferramentas desenhadas para facilitar o processo meditativo, tais como certos
tipos de respiração, recitação de mantras ou o uso de japamalas como guias, por
exemplo. Embora não sejam fundamentais para que se realize uma prática meditativa,
podem contribuir para melhores resultados na meditação. Uma analogia seria o plantio
de uma semente: observar as particularidades técnicas daquele tipo de planta, tais
como o melhor tipo de solo, adubo, iluminação e rega, aumenta exponencialmente suas
chances de conseguir o melhor resultado possível. Você pode, ainda que não utilize
nenhuma das especificidades técnicas, conseguir que a semente germine e se
desenvolva, mas talvez não alcance os melhores resultados ou mine o cultivo.
Ainda seguindo
a analogia do plantio, no passado conhecimentos envolvendo a terra e o cultivo
eram muito mais corriqueiros na vida das pessoas, que tinham uma relação muito
mais próxima e espontânea com a natureza. O mesmo ocorria com as práticas
meditativas e o contato com a própria essência. Com o passar do tempo e a modernização
da sociedade, um aspecto importante da essência humana foi se perdendo, especialmente
no Ocidente, onde a vida cotidiana atribulada, a falta de tempo, a enxurrada de
estímulos de todos os lados e o acúmulo de responsabilidades e afazeres condicionaram
nossa mente de tal modo que a habilidade antes tão natural de transcendência
tem se tornado cada vez mais distante de ser acessada. Fomos perdendo a
capacidade de nos perceber internamente e de perceber o entorno, as energias, a
espiritualidade da nossa existência.
Por isso, as técnicas
de meditação, embora não essenciais para que possamos exercer a prática
meditativa, tornaram-se mais uteis do que nunca para nos guiar nesse processo.
Vamos observar,
a seguir, algumas dicas de como melhor otimizar nosso potencial meditativo:
- Prepare-se:
no dia em que deseja meditar, é importante que o bem-estar geral esteja o mais
próximo possível do ideal, ou seja, que, no momento na meditação, você não
esteja com sono, com fome, com o estômago muito cheio, com dor, com roupas desconfortáveis
ou num ambiente desagradável, barulhento ou agitado. Os grandes mestres já
aprenderam a se desconectar das sensações do corpo o suficiente para que nada
disso os afete mais em suas práticas meditativas, mas, a menos que já estejamos
nesse patamar, não custa observar tais fatores que poderão afetar negativamente
nossa prática.
- Preferencialmente,
a alimentação no dia – ou pelo menos horas antes – da meditação deve ter sido
leve e predominantemente vegetariana, pois a carne, além de ser de difícil
digestão, traz consigo energia de sofrimento animal, que é sempre densa e
negativa. Quando meditamos, buscamos nos conectar com esferas espirituais mais
elevadas, e teremos muito mais dificuldade em conseguir isso se nossa energia
pessoal estiver carregada.
- Antes de iniciar
a prática meditativa, reserve alguns minutos para apenas relaxar e encontrar a
posição mais confortável possível para o corpo físico.
Agora estamos prontos para começar. A seguir, está um roteiro simples e acessível a qualquer pessoa, de técnicas inspiradas na meditação Natha, proveniente do sul da Índia, que são explicadas pelo iogue Davi Murbach (extraídas de seu vídeo Aprenda a Meditação Natha | Monge Satyanatha, que você pode acompanhar pelo YouTube seguindo o link do vídeo, se preferir – um vídeo excelente, que vale a pena assistir):
1. De olhos fechados, perceba, primeiramente, sua própria respiração. Inspire e expire com calma, geralmente esperando 1 ou 2 segundos entre cada respiração. O ritmo da respiração está relacionado com o ritmo de pensamento. Se a mente desviar a atenção, que passa a focar num barulho ou situação externa, tente sempre voltar à concentração focando novamente na respiração.
2. Então,
concentre-se na sensação de calor do seu corpo. Perceba o calor no seu organismo,
o calor que sai das suas mãos e respiração. Estamos treinando a mente para
observar algo menos físico, mas que ainda é físico: uma “energia observável”.
3. Quando
sentir que já está concentrado na percepção do próprio corpo, tente concentrar
a mente em sua coluna vertebral. Mentalize que por ela passa uma energia vital,
e procure imaginar de que cor ela é. Imagine essa energia subindo por toda sua
coluna, que se parece agora com um “pilar de luz”. Imagine essa energia ficando
tão intensa que passa a irradiar para todo o seu corpo, através da estimulação
da sua mente. Perceba a sensação agradável que é a emanação dessa energia por
todo o corpo.
4. Outros
pensamentos podem cruzar a mente, e isso é normal. Com tranquilidade, volte a
concentrar a atenção na coluna de luz emanando de sua coluna vertebral e no
quanto essa energia irradia para todos os lados, subindo até o topo de sua cabeça,
iluminando cada cantinho do cérebro com tanta intensidade que, de repente, é
como se você estivesse imerso numa grande bola de luz.
5. Imagine
que essa luz seja o equivalente espiritual do banho do corpo físico, que lava
sua mente, sua aura e seu corpo de toda energia estagnada e negativa, de toda
angústia e pesar. Essa é a energia mais pura do ser humano e é chamada de Sushumna
Shakti.
6. Permaneça
imerso nessa energia o quanto desejar, e observe o que mais sente e visualiza
nessa viagem ao seu interior de energia, que conecta você a uma outra dimensão,
que é a do espírito, para além do plano físico.
7. Quando
quiser encerrar, você pode simplesmente abrir os olhos, mas, como tudo o que
fazemos de maneira suave flui melhor e é sempre mais agradável, o ideal é que você
inicie o caminho inverso, de volta ao ponto inicial da meditação: mentalize a energia
voltando ao centro da sua coluna vertebral, como diferencial de perceber, agora,
seu corpo todo energizado pela expansão de energia ocorrida, e observe sua
temperatura corporal. Então, note sua respiração e, por fim, abra os olhos.
Ao término
desse processo, você provavelmente sentirá uma sensação interessante ao
observar o mundo “real”: ele talvez pareça apenas mais uma das facetas da
realidade, e não mais a única realidade em si, pois ativa em você a consciência
de que a existência é muito maior do que apenas o que vemos aqui.
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