sábado, 19 de fevereiro de 2022

É difícil meditar?

 

É difícil meditar?


A meditação é uma prática muito antiga, e seus registros mais antigos vêm da região da China e Índia e datam de aproximadamente 1.500 a.C.

A origem mais conhecida da palavra provém da raiz latina “meditatum”, que quer dizer “ponderar”, mas o significado mais comum que vemos é o que vem também do latim “meditare” e significa “estar em seu centro”, “voltar-se para o centro”.

Seus principais objetivos incluem o treino da concentração, autodisciplina, atingimento de estabilidade psicológica e emocional (o que pode ser uma ferramenta de auxílio significativo no combater ao caos mental, stress, ansiedade e depressão) ou, num sentido mais amplo, expansão do estado de consciência e transcendência espiritual.

Não há um único tipo de meditação ou uma única forma de meditar. Seja pela influência das diversas culturas em que surgiu, seja pela passagem do tempo, a meditação desenvolveu-se com muitas técnicas e objetivos diferentes. Por isso, não se pode dizer esta meditação é errada e aquela é certa.

Ainda que haja diversos objetivos envolvidos nas práticas da meditação, meditar ainda é, sobretudo, a busca por elevar a consciência para um estado diferenciado que nos permita trilhar os passos rumo à evolução espiritual.

Existem técnicas e ferramentas desenhadas para facilitar o processo meditativo, tais como certos tipos de respiração, recitação de mantras ou o uso de japamalas como guias, por exemplo. Embora não sejam fundamentais para que se realize uma prática meditativa, podem contribuir para melhores resultados na meditação. Uma analogia seria o plantio de uma semente: observar as particularidades técnicas daquele tipo de planta, tais como o melhor tipo de solo, adubo, iluminação e rega, aumenta exponencialmente suas chances de conseguir o melhor resultado possível. Você pode, ainda que não utilize nenhuma das especificidades técnicas, conseguir que a semente germine e se desenvolva, mas talvez não alcance os melhores resultados ou mine o cultivo.



Ainda seguindo a analogia do plantio, no passado conhecimentos envolvendo a terra e o cultivo eram muito mais corriqueiros na vida das pessoas, que tinham uma relação muito mais próxima e espontânea com a natureza. O mesmo ocorria com as práticas meditativas e o contato com a própria essência. Com o passar do tempo e a modernização da sociedade, um aspecto importante da essência humana foi se perdendo, especialmente no Ocidente, onde a vida cotidiana atribulada, a falta de tempo, a enxurrada de estímulos de todos os lados e o acúmulo de responsabilidades e afazeres condicionaram nossa mente de tal modo que a habilidade antes tão natural de transcendência tem se tornado cada vez mais distante de ser acessada. Fomos perdendo a capacidade de nos perceber internamente e de perceber o entorno, as energias, a espiritualidade da nossa existência.

Por isso, as técnicas de meditação, embora não essenciais para que possamos exercer a prática meditativa, tornaram-se mais uteis do que nunca para nos guiar nesse processo.

 

Vamos observar, a seguir, algumas dicas de como melhor otimizar nosso potencial meditativo:

- Prepare-se: no dia em que deseja meditar, é importante que o bem-estar geral esteja o mais próximo possível do ideal, ou seja, que, no momento na meditação, você não esteja com sono, com fome, com o estômago muito cheio, com dor, com roupas desconfortáveis ou num ambiente desagradável, barulhento ou agitado. Os grandes mestres já aprenderam a se desconectar das sensações do corpo o suficiente para que nada disso os afete mais em suas práticas meditativas, mas, a menos que já estejamos nesse patamar, não custa observar tais fatores que poderão afetar negativamente nossa prática.

- Preferencialmente, a alimentação no dia – ou pelo menos horas antes – da meditação deve ter sido leve e predominantemente vegetariana, pois a carne, além de ser de difícil digestão, traz consigo energia de sofrimento animal, que é sempre densa e negativa. Quando meditamos, buscamos nos conectar com esferas espirituais mais elevadas, e teremos muito mais dificuldade em conseguir isso se nossa energia pessoal estiver carregada.

- Antes de iniciar a prática meditativa, reserve alguns minutos para apenas relaxar e encontrar a posição mais confortável possível para o corpo físico.




Agora estamos prontos para começar. A seguir, está um roteiro simples e acessível a qualquer pessoa, de técnicas inspiradas na meditação Natha, proveniente do sul da Índia, que são explicadas pelo iogue Davi Murbach (extraídas de seu vídeo Aprenda a Meditação Natha | Monge Satyanatha, que você pode acompanhar pelo YouTube seguindo o link do vídeo, se preferir – um vídeo excelente, que vale a pena assistir):


1. De olhos fechados, perceba, primeiramente, sua própria respiração. Inspire e expire com calma, geralmente esperando 1 ou 2 segundos entre cada respiração. O ritmo da respiração está relacionado com o ritmo de pensamento. Se a mente desviar a atenção, que passa a focar num barulho ou situação externa, tente sempre voltar à concentração focando novamente na respiração.


2. Então, concentre-se na sensação de calor do seu corpo. Perceba o calor no seu organismo, o calor que sai das suas mãos e respiração. Estamos treinando a mente para observar algo menos físico, mas que ainda é físico: uma “energia observável”.


3. Quando sentir que já está concentrado na percepção do próprio corpo, tente concentrar a mente em sua coluna vertebral. Mentalize que por ela passa uma energia vital, e procure imaginar de que cor ela é. Imagine essa energia subindo por toda sua coluna, que se parece agora com um “pilar de luz”. Imagine essa energia ficando tão intensa que passa a irradiar para todo o seu corpo, através da estimulação da sua mente. Perceba a sensação agradável que é a emanação dessa energia por todo o corpo.


4. Outros pensamentos podem cruzar a mente, e isso é normal. Com tranquilidade, volte a concentrar a atenção na coluna de luz emanando de sua coluna vertebral e no quanto essa energia irradia para todos os lados, subindo até o topo de sua cabeça, iluminando cada cantinho do cérebro com tanta intensidade que, de repente, é como se você estivesse imerso numa grande bola de luz.


5. Imagine que essa luz seja o equivalente espiritual do banho do corpo físico, que lava sua mente, sua aura e seu corpo de toda energia estagnada e negativa, de toda angústia e pesar. Essa é a energia mais pura do ser humano e é chamada de Sushumna Shakti.


6. Permaneça imerso nessa energia o quanto desejar, e observe o que mais sente e visualiza nessa viagem ao seu interior de energia, que conecta você a uma outra dimensão, que é a do espírito, para além do plano físico.


7. Quando quiser encerrar, você pode simplesmente abrir os olhos, mas, como tudo o que fazemos de maneira suave flui melhor e é sempre mais agradável, o ideal é que você inicie o caminho inverso, de volta ao ponto inicial da meditação: mentalize a energia voltando ao centro da sua coluna vertebral, como diferencial de perceber, agora, seu corpo todo energizado pela expansão de energia ocorrida, e observe sua temperatura corporal. Então, note sua respiração e, por fim, abra os olhos.


Ao término desse processo, você provavelmente sentirá uma sensação interessante ao observar o mundo “real”: ele talvez pareça apenas mais uma das facetas da realidade, e não mais a única realidade em si, pois ativa em você a consciência de que a existência é muito maior do que apenas o que vemos aqui.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Japamala: conheça-o em todos os detalhes!

 

Japamala: conheça-o em todos os detalhes!


Japamala em madeira e pedras naturais

Fonte da Imagem 

A palavra japamala deriva do sânscrito, onde “japa” significa ‘murmurar mantras repetidamente’ e “mala” significa ‘cordão, guirlanda’. Assim, o japamala é um cordão para repetição e prática de mantras, que são sons sagrados com vibrações específicas que auxiliam no alcance de um determinado estado de consciência. Porém, o japamala é mais que apenas um cordão ou colar de repetição, sendo rico em simbolismos, conforme veremos mais adiante.

O japamala (atenção ao pronome correto, que é masculino: “o meu japamala” e não “a minha japamala”) é uma ferramenta muito útil na prática de meditação hinduísta e budista, pois ajuda a mente a manter-se focada enquanto serve de guia para a repetição do número correto de mantras sem que a pessoa que medita precise ficar contando quantas repetições já foram feitas, bastando apenas que vá seguindo cada bolinha do colar com os dedos até completar a volta toda.

O uso de cordões com finalidade de práticas espirituais surgiu por volta do século VIII a.C. na Índia, e por muito tempo não foram usados apenas para recitação de rezas ou mantras, mas também como amuleto de proteção ou item de sinalização de pertencimento a grupos culturais, mágicos ou religiosos. Embora seu uso seja predominante nas religiões indianas, variações foram adotadas por outras religiões, como é o caso do terço no catolicismo.

O espiritualismo explica que o japamala seria composto de 2 cordões: um físico e um espiritual, energético. À medida em que praticamos o “japa”, que são as repetições dos mantras, imbuímos o “mala” (cordão) com energia, magnetizando-o.

 


Composição do japamala




Para que seja considerado um japamala, o colar deve ter 108 contas*, uma conta maior que as demais, chamada de meru, e um tassel, que é uma espécie de pingente de franja (embora este possa ter outras representações, conforme explicação no último parágrafo dessa seção).

Embora a versão tradicional seja o colar de 108 contas, que representa o circuito completo de repetições, *existe a possibilidade de que seja feito com 54, 27 ou 9 contas, sempre múltiplos de 9. Se, por exemplo, a pessoa utiliza um japamala de 54 contas, fará a volta duas vezes para completar o circuito de 108 repetições; se o japamala tiver 27 contas, serão 4 voltas, e se forem apenas 9 contas, serão necessárias 12 voltas até que as 108 repetições sejam realizadas.

Alguns japamalas são feitos com nozinhos entre cada conta e algumas versões também podem ter marcadores, geralmente posicionados a cada 9, 27 ou 54 contas, embora os mais tradicionais sejam com contas corridas e sem marcadores.

No ocidente, vemos, às vezes, japamalas que não possuem o tassel (franja) e sim algum outro item, como um cristal, por exemplo. Isso não impede seu uso como japamala e nem interfere no propósito energético do colar, afinal, o mais importante é sempre a intenção que depositamos sobre um objeto, e não o objeto em si. É apenas mais tradicional o uso do tassel, pois é um representante mais “fiel” das Mil Pétalas que se associam ao conceito de iluminação (mais detalhes a esse respeito podem ser encontrados abaixo, no subtítulo “O tassel”).

 


Simbologias do japamala

 

O incrível número 108:

O número 108 não é aleatório. O japamala tem essa quantidade específica de contas porque 108 é considerado um número sagrado e auspicioso (“auspicioso” significa “de boa sorte e vibração”). Se somados todos os algarismos e reduzidos a um único dígito, o resultado será 9 (1 + 0 + 8 = 9), e o mesmo acontece com os demais agrupamentos/divisões possíveis do japamala, que são sempre múltiplos de 9. Veja:

Japamala de 54 contas à  5 + 4 = 9

Japamala de 27 contas à  2 + 7 = 9

Japamala de 9 contas à já é o próprio 9

 

Outros fatores muito interessantes envolvendo o número 108 ou 9, que é a sua vibração e do qual é múltiplo:

·        A frequência de 432 Hz é encontrada nos batimentos cardíacos: 432 à 4 + 3 + 2 = 9

·        432 Hz é também conhecido como a frequência do universo que, se dividida por 4 (os 4 elementos, as 4 direções cardeais, os 4 pontos do quadrado, que é o símbolo da terra) dá como resultado o número 108.

·        A frequência de ressonância de Schumann¹ é 7,83 Hz: 7,83 à 7 + 8 + 3 = 9

·        O formato-padrão da colmeia de abelhas é o hexágono, cujo total dos ângulos internos é 720 °:             720 à 7 + 2 + 0 = 9

·        As 108 contas representam a roda de Samsara², que é a roda das encarnações humanas.

·        A distância aproximada entre o sol e a terra é de 108 vezes o diâmetro do sol. Por isso, ao se fazer uma volta completa no japamala de 108 contas, é como ir até o sol, que é a fonte da vida.

·        A distância entre a lua e a terra é aproximadamente 108 vezes o diâmetro lunar.

·        A Árvore da Vida, estudada na Cabala, descreve os Sephirot de 1 a 9 como emanações sucessivas de Deus.

·        O número nove é particularmente gerador e místico: o que for multiplicado por 9 (inclusive multiplicando-o por si mesmo) dará como resultado sempre o próprio número 9, quando reduzido a um único dígito final. Veja alguns exemplos:

o   9 x 8 = 72                          à 7 + 2 = 9

o   9 x 25 = 225                      à 2 + 2 + 5 = 9

o   9 x 497 = 4.473                à 4 + 4 + 7 + 3 = 18    à 1 + 8 = 9

o   9 x 9 = 81                          à 8 + 1 = 9

o   99 x 9 = 891                      à 8 + 9 + 1 = 18    à 1 + 8 = 9

o   99 x 99 = 9.801                à 9 + 8 + 0 + 1 = 18    à 1 + 8 = 9

o   999 x 999 = 998.001      à 9 + 9 + 8 + 0 + 0 + 1 = 27    à 2 + 7 = 9

 

¹ Schumann foi um físico que demonstrou que a Terra é cercada por um imenso campo eletromagnético, que vai do solo até cerca de 100km sobre nós. Esse campo pulsa, como se fosse o coração do planeta, e possui a frequência de ressonância de 7,83 Hz.  Sessenta anos antes, o físico Nikola Tesla também já havia detectado essa ressonância com sucesso enquanto estudava uma gigantesca tempestade de raios e trovões.

² “Samsara” é uma palavra do sânscrito que significa “perambulação”; assim, a Roda de Samsara é o termo usado para descrever o processo de reencarnação contínua e sucessiva, em que seguimos “perambulando” entre os sofrimentos do mundo enquanto não alcançamos o estado de iluminação.

 

Cada algarismo do número 108 também tem seu simbolismo particular:

1 – Representa a unidade, o todo

0 – Representa a “naõ-existência”, a ilusão da realidade

8 – É o símbolo do infinito (imagine o número 8 deitado)

 

 

O meru:

É chamada de “meru” a conta ou peça maior que as outras, que fica na finalização do japamala que antecede o tassel. Esta conta representa a fonte, a divindade, a criação, a inteligência suprema, o que equivaleria ao conceito de Deus.

O meru pode ser representado por uma conta, um cristal, uma imagem, uma semente, havendo ampla margem para variações.

 

O fio que prende as contas do japamala:

O fio simboliza o universo, onde tudo está interligado.

 

O tassel:

O tassel é o pingente de franja que fica no final do japamala.

Ele simboliza a iluminação, ou seja, o atingimento da pura consciência, em alusão ao 7º chakra, chamado de Chakra da Coroa ou Sahasrara, também conhecido como o Lótus das Mil Pétalas (mil pétalas inspiram a ideia dos muitos fios no tassel), que é o chakra da consciência plena. Este chakra fica localizado no topo da cabeça.



Materiais usados num japamala

A princípio, quaisquer materiais podem ser usados na confecção de um japamala, mas há aqueles cujas energias ampliam e aqueles cujas energias antagonizam o propósito de iluminação e prática espiritual do japamala.

O uso de elementos derivados de sofrimento animal, como o couro, as pérolas verdadeiras (que são extraídas com a morte do molusco) ou as penas, por exemplo, são antagonistas, ou seja, contrários à proposta energética e conceitual do japamala, sendo uma contradição que o praticante da meditação esteja em busca da elevação de consciência ao mesmo tempo em que não se importa com a sua própria responsabilidade no consumo.

Já materiais naturais não provenientes de sofrimento animal, tais como madeira (colhida com consciência), pedras naturais ou sementes, por exemplo, estão em sintonia com a intenção energética do japamala, que preza pelo respeito e harmonia com a natureza. Estes elementos, são, ainda, doadores de energias da natureza e contêm informação em seu DNA que se alinha com tais propósitos. A pedra natural traz consigo toda a memória e energia de sua formação, sua geologia, assim como as sementes e madeira trazem consigo as características que a natureza lhes designou.

Por isso, o material ideal para a confecção de um japamala é aquele proveniente da natureza, e sem sofrimento animal.

 


A semente de Rudraksha

Uma semente muito comum na confecção de japamalas é a rudraksha. Esta semente cresce nas árvores Elaeocarpus Ganitrus, encontradas do Himalaia ao Nepal, no sul asiático, assim como na Austrália e no Havaí.

Do sânscrito, “rudra” é um dos nomes védicos de Shiva e “aksa” significa “lágrimas”. Assim, “rudraksha” poderia ser traduzido como “lágrimas de Shiva”. Alguns dicionários de sânscrito traduzem “aksa” como “olho”, podendo o significado ser também “olho de Shiva”.

A lenda conta que Shiva meditou por mil anos e, quando abriu os olhos, chorou. Suas lágrimas caíram no chão e se transformaram em sementes, e delas nasceram árvores de rudraksha.

A semente de rudraksha tem entre 1 e 21 linhas (essas linhas são chamadas de “mukhis”). Antigamente, até 108 mukhis eram possíveis de serem encontrados numa semente, mas atualmente quase todas as sementes de rudraksha têm entre 4,5 e 6 linhas (80% delas). A semente com uma única linha é a mais rara.

As sementes do Nepal têm entre 2 e 3,5 cm de tamanho. As da Indonésia têm entre 2,5 e 5 cm.

A coloração natural da semente varia do avermelhado ao marrom amarelado.

Acredita-se que a semente de rudraksha tenha propriedades eletromagnéticas benéficas para o cérebro e o sistema nervoso humano, auxiliando em casos de stress, fadiga, depressão, ansiedade, questões psicológicas e transtornos mentais.

Existem falsificações dessa semente no mercado, que são réplicas de plástico perfeitas. Uma dica para testar se a semente é verdadeira é colocá-la num copo com água. A semente verdadeira afunda, e as de plástico boiam.


 

Fonte da imagem: arquivo pessoal da loja Estrela da Terra


Como utilizar o japamala

Primeiramente, devemos aquietar a mente por alguns minutos, procurando uma posição confortável para ficar. Pode-se estar sentado numa cadeira, ou no chão, de pernas esticadas ou cruzadas, ou mesmo repousando sobre uma poltrona ou outro lugar macio, que não interfira no conforto necessário para que se possa concentrar-se na meditação.

Então, iniciamos a repetição dos mantras a partir da primeira conta ao lado do meru, não importando o lado, dizendo o mantra uma vez por conta/bolinha, até que se complete toda a volta das 108 contas.

Um mantra é um som que possui uma determinada frequência vibracional. Um dos mais conhecidos é o som do “Om” (som do universo), mas há muitos outros. Ao completar o circuito de 108 repetições, a intenção é que a mente adentre um estado transcendido de consciência, ultrapassando as fixações cotidianas do pensamento, permitindo que a consciência se concentre em si mesma.

Um cuidado que costuma ser observado no manuseio do japamala é utilizar os dedos polegar e médio para ir passando as contas, sem encostar o dedo indicador. O motivo é que o dedo indicador representa o ego e o treino rumo à iluminação consiste justamente em eliminar o ego e praticar o respeito e a humildade.




Caso se deseje repetir o processo, não há problema, mas a orientação é voltar pelo mesmo caminho, sem “pular” o meru. Isso porque, sendo o meru a representação da máxima divindade ou inteligência no universo, ele seria como um mestre, e ao pulá-lo estaríamos desrespeitando seus ensinamentos.

Não pular o meru e não encostar o dedo indicador no japamala são, assim, uma lição de concentração, humildade e respeito.

Recomenda-se guardar o japamala em lugar adequado, ou seja, sempre no alto e nunca próximo do chão ou em banheiros, por exemplo, que são locais com energia densa, e preferencialmente numa gaveta, caixinha ou saquinho, para não ficar exposto o tempo todo, absorvendo as energias do entorno. Alguns praticantes orientam que o japamala deve ser um objeto de uso privado, não devendo ficar às vistas das pessoas que não conhecemos ou em quem não confiamos, e não deve ser manuseado por outras pessoas além do dono do objeto, pois o cordão está imantado com a energia exclusiva dessa pessoa. Se o intuito do uso do japamala for o de proteção em locais públicos, por exemplo, o ideal é que ele esteja reservado unicamente para esta função, e outro japamala deve ser utilizado para a prática meditativa.

 

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Acessórios em Pedras e Elementos Naturais




sábado, 12 de fevereiro de 2022

O que são os cristais?

 O que são os cristais?


Que tal pegar um chá ou cafezinho e recostar numa cadeira confortável para apreciar uma leitura interessante? Tudo pronto? Então vamos lá!

 

A palavra “cristal” deriva do latim CRYSTALLUM e do grego KRYSTALLOS, que significa tanto “gelo” quanto “quartzo”.

As pedras naturais, que também costumam ser chamadas de cristais, fascinam o ser humano desde os primórdios dos tempos. Companheiras de jornada, sempre estiveram presentes na vida humana, como amuletos, itens de adoração religiosa, esculpidas em totens de proteção, utilizadas como itens de troca comercial ou para presentear.

Os cristais são corpos sólidos que foram criados quando o nosso planeta ainda estava em formação, e foram se transformando ao longo do tempo assim como o próprio planeta se transformava. A maioria dos cristais que você tiver em suas mãos hoje terá milhões de anos de idade! Sua composição interna ocorre em estruturas geométricas e simetrias, representando o funcionamento do universo, onde tudo é matemático.




Judy Hall, em seu livro A Bíblia dos Cristais, descreve os cristais da seguinte maneira:

"Os cristais são o DNA da Terra, um registro químico da evolução. São repositórios em miniatura que contêm os registros do desenvolvimento da Terra ao longo de milhões de anos, e guardam indelével lembrança das forças poderosas que os moldaram. Alguns foram submetidos a enormes pressões, enquanto outros se desenvolveram em câmaras nas profundezas do subsolo; alguns se formaram em camadas, enquanto outros cristalizaram a partir de gotejamento de soluções aquosas – tudo isso afeta as propriedades e a maneira como atuam. Seja qual for a forma que assumam, a estrutura cristalina pode absorver, conservar, concentrar e emitir energia, especialmente na faixa de onda eletromagnética.”

 

Uma das primeiras descobertas científicas a respeito das propriedades energéticas dos cristais foi em 1880, quando Jacques e Pierre Curie submeteram cristais de quartzo à pressão e notaram que transformavam-se em pequenas baterias. 

As ondas eletromagnéticas são campos de energia e magnetismo emitidos por elementos naturais, tais como certos tipos de minerais, solo ou luz, ou por aparelhos eletrônicos, tais como computadores, celulares, torres de rádio, aparelhos de microondas, etc. A maioria delas não é visível para nós, humanos (veja abaixo o desenho da pequena faixa, representada pelas cores do arco-íris, que conseguimos enxergar). Algumas são benéficas, mas muitas não são, causando doenças, mal-estar e indisposições. Como os cristais têm propriedades filtrantes, energizantes ou bloqueadoras, é frequente seu uso para proteção e recuperação contra as ondas nocivas.




Embora pensemos que cristais são apenas pedras preciosas ou semipreciosas, na verdade, eles estão em mais lugares do que imaginamos: o açúcar, o sal e o metal dos utensílios na sua cozinha são cristais! Se você olhar num microscópio, verá o grão do açúcar e do sal como um cristalzinho...  não é à toa que o açúcar menos refinado, ou seja, em seu aspecto mais bruto, receba o nome de “açúcar cristal”, onde seus cristaizinhos podem ser mais facilmente visualizados a olho nu. Já o metal é um composto de micro cristaizinhos que são fundidos e remodelados nos talheres, panelas e tantos outros itens metálicos no nosso entorno.


Cristais de sal de cozinha aumentados no microscópio


Os cristais têm muitas aplicações importantes no mundo moderno: os cristais de silício são a base dos circuitos eletrônicos de computadores, agulhas de acupuntura são revestidas com quartzo para potencializarem seus efeitos, muitos relógios utilizam as frequências do quartzo em seu funcionamento, os primeiros lasers foram gerados a partir de rubis.  

Imaginem quanta energia nos cerca sem que nem tenhamos consciência delas! Como disse o iogue Davi Murbach, “somos peixinhos num mar de energias”!





A ciência convencional entende a realidade através de comprovações que podem ser medidas e diretamente observadas. Se, por um lado, isso é necessário e importante, pois nos livra de crenças e achismos infundados que por tantos séculos retardaram o progresso da civilização, por outro ficamos condicionados a nos fechar completamente ao que nossa ciência ainda não consegue compreender ou medir, nos esquecendo que a base da ciência é justamente ousar fazer todas as perguntas e não rechaçar nada que não se possa provar a existência ou inexistência.

É preciso cautela com certezas absolutas e humildade para reconhecermos que somos, ainda, uma civilização no princípio da evolução, na busca por respostas fundamentais sobre a origem da vida e do universo. 

Desse modo, o estudo das energias e vibrações dos cristais levará um tempo ainda para ser satisfatoriamente desenvolvido, o que não elimina a experiência real vivida por tantas pessoas quanto às suas influências energéticas. Tudo existe em níveis, distribuídos num espectro: assim como há pessoas com muita consciência de algo, há pessoas com pouca consciência; assim como há pessoas com maiores níveis de sensibilidade na captação das energias do entorno, há pessoas com baixa sensibilidade a essas energias, fazendo com que uns percebam mais e outros menos os efeitos vibracionais dos cristais. 

 

 

 

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É difícil meditar?

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